Vale trocar um SaaS por software sob medida quando ele trava um processo que diferencia a sua empresa. Não vale quando ele resolve bem uma função que toda empresa executa do mesmo jeito.
A pergunta ganhou urgência em 2026. Em uma pesquisa da Retool com 817 profissionais, 35% das equipes disseram já ter substituído ao menos um SaaS por uma solução própria. Outros 78% pretendem construir mais ferramentas internas neste ano.
Nos Estados Unidos, o assunto virou pauta de CIOs e conselhos. No Brasil, ainda aparece pouco. Este artigo mostra o que mudou, o que está sendo trocado primeiro, os limites do dado e um roteiro para decidir entre SaaS e sistema próprio.
Por que desenvolver software sob medida voltou a fazer sentido
Duas contas mudaram ao mesmo tempo: construir ficou mais barato e alugar ficou mais caro.
Construir ficou mais barato. Durante décadas, CRM, ERP e sistemas de atendimento eram coisas que se comprava, porque escrever esse tipo de software exigia muito capital e muito tempo de engenharia. Um CIO americano resumiu a virada em artigo na CIO.com: a barreira nunca foi o código, e sim o custo de escrevê-lo. Com desenvolvimento assistido por IA, esse custo caiu.
Alugar ficou mais caro. O mesmo artigo cita o índice de 2026 da Zylo: o gasto médio de grandes empresas com SaaS chegou a US$ 55,7 milhões por ano, alta de 8%, com o mesmo número de aplicações (cerca de 305). Ou seja, as empresas pagam mais pelas mesmas ferramentas.
Para quem opera no Brasil, há um agravante conhecido: boa parte dessas assinaturas é cobrada em dólar e por usuário. A fatura sobe quando o câmbio sobe e quando a equipe cresce, mesmo que o uso da ferramenta continue igual.
O mercado financeiro percebeu. Em fevereiro de 2026, uma queda forte nas ações de empresas de software ganhou nos EUA o apelido de "SaaSpocalypse", segundo a própria Retool.
Quais SaaS as empresas estão substituindo primeiro
Automação de fluxos e ferramentas administrativas internas lideram a lista. São as áreas em que a distância entre o que o SaaS entrega e o que a empresa precisa costuma ser maior.
| Categoria de SaaS | Sob pressão de substituição | Exemplos de ferramentas (ilustrativos) |
|---|---|---|
| Automação de fluxos | 35% | Zapier, Make |
| Ferramentas administrativas internas | 33% | Painéis de operação e backoffice |
| BI e relatórios | 29% | Power BI, Tableau |
| CRM e vendas | 25% | Salesforce, HubSpot, Pipedrive |
| Formulários e captação | 25% | Typeform, Google Forms |
| Gestão de projetos | 23% | Trello, Asana |
| Atendimento ao cliente | 21% | Zendesk, Freshdesk |
Fonte: Retool, 2026 Build vs. Buy Report. Os percentuais são do relatório. Os exemplos de ferramentas são nossos, para situar cada categoria.
Repare no que não aparece no topo: ninguém está começando pelo ERP. A troca começa pelas bordas, em fluxos específicos que a empresa conhece melhor do que qualquer fornecedor.
O que o dado dos 35% não prova
O número mostra uma tendência real, mas vem de uma fonte interessada. Antes de usá-lo em uma reunião de diretoria, vale conhecer três limites.
- Quem respondeu. A pesquisa ouviu 817 pessoas no fim de 2025, incluindo clientes da própria Retool, que vende uma plataforma para construir ferramentas internas. É um público que já tende a construir.
- O que conta como substituição. O relatório fala em substituir a funcionalidade de ao menos um SaaS. Isso inclui trocar um formulário ou uma automação, e não só aposentar um CRM inteiro.
- Como esse software foi feito. Entre quem colocou software em produção, 72% usam IA para escrever trechos de código que depois integram e testam. Só 31% geram aplicativos completos por prompt, e apenas 8% usam o código da IA sem alterar nada.
O terceiro ponto é o mais importante. Quem está substituindo SaaS de verdade não está pedindo um sistema pronto para um chatbot. Está desenvolvendo com método, usando IA para acelerar.
5 sinais de que vale trocar o SaaS por um sistema sob medida
Se a sua empresa se reconhece em dois ou mais destes sinais, a conta merece ser refeita.
- Você paga pelo pacote inteiro e usa uma fração. A equipe usa meia dúzia de telas, mas a fatura cobre o produto todo, por usuário.
- O processo se dobra à ferramenta. Surgem planilhas paralelas, campos improvisados e automações empilhadas para fazer o SaaS se comportar como a operação precisa.
- Os dados estão espalhados. Comercial, financeiro e operação vivem em sistemas que não conversam, e alguém fecha o mês copiando e colando.
- O custo cresce com a equipe, e não com o valor. Cada contratação aumenta a assinatura, mesmo sem ganho novo de produtividade.
- O processo é o seu diferencial. A forma como você qualifica um lead, precifica ou atende é parte do motivo pelo qual você vence. Nenhum fornecedor vende isso pronto.
Na Skala Code, vemos esse padrão se repetir. Um cliente do setor de serviços eliminou as planilhas e passou a operar com todos os dados centralizados em um sistema próprio. Outro, do setor financeiro, integrou todas as áreas em um CRM sob medida, e isso viabilizou o início da expansão por franquias.
Nos dois casos, o ganho não veio de ter mais tecnologia. Veio de o sistema seguir o processo da empresa, e não o inverso.
Quando continuar no SaaS é a melhor decisão
Na maioria das funções da empresa, comprar ainda ganha. Estes são os casos em que recomendamos não construir.
- Funções que toda empresa executa igual. E-mail, folha de pagamento, contabilidade e emissão fiscal mudam por força de lei, e não por estratégia sua. Deixe a atualização com quem vive disso.
- Segurança da informação. O artigo da CIO.com trata cibersegurança como exceção: o valor do fornecedor está na inteligência de ameaças acumulada em milhares de clientes, que nenhuma empresa replica sozinha.
- Processo ainda indefinido. Software sob medida codifica um processo. Já recebemos empresa querendo usar IA para resolver tudo, e a conversa mostrou que os processos ainda não estavam definidos. Automatizar ali só aceleraria a desordem.
- Sem orçamento para manter. Se a conta fecha só no primeiro ano, ela não fecha. Sistema próprio precisa de sustentação contínua.
- Trocar o sistema central de uma vez. Segundo o mesmo artigo, em uma troca de CRM ou ERP o software é cerca de 30% do esforço. O restante é gente, processo e migração de dados.
O melhor desenho para a maioria das empresas é híbrido: alugar o que é commodity e construir o que é diferencial.
O custo que ninguém conta: quem mantém o sistema depois
Construir ficou rápido. Manter continua exigindo dono, rotina e orçamento, e é aqui que muita substituição dá errado.
O relatório da Retool mostra o tamanho do problema: 60% dos entrevistados construíram alguma ferramenta fora da supervisão de TI no último ano. O próprio relatório admite que o tempo ganho pode ser perdido com manutenção, ferramentas sem governança e falhas de segurança.
Em setembro de 2026, um engenheiro de segurança da Webflow descreveu o cenário em artigo no The New Stack. Antes, o risco era o excesso de SaaS contratado sem aval de TI. Agora é o excesso de código: aplicativos internos gerados por IA, rodando com acesso a dados de produção, que ninguém revisou.
Um sistema sob medida saudável tem quatro coisas definidas antes de entrar no ar:
- Dono. Uma pessoa ou equipe responde pelo sistema, e não quem o criou num fim de semana.
- Revisão. Alguém que entende de segurança lê o código antes de ele tocar dados reais.
- Sustentação. Correções, atualizações de segurança e monitoramento têm contrato e orçamento anual.
- Evolução. O processo da empresa muda, e o sistema precisa mudar junto.
É por isso que, na prática, o projeto é só o começo. O valor do software sob medida aparece ao longo dos anos em que ele acompanha a operação.
SaaS ou software sob medida: como decidir em 7 passos
A decisão cabe em uma planilha simples e em uma conversa honesta sobre processo. Siga esta ordem.
- Liste os SaaS e o custo anual real. Some assinatura, integrações pagas e as horas da equipe gastas em contornar limitações.
- Separe commodity de diferencial. Marque quais ferramentas sustentam um processo que é só seu.
- Meça o uso. Quantas funcionalidades e quantas licenças são usadas de fato toda semana?
- Compare o custo total em três anos. No lado do sistema próprio, inclua desenvolvimento, migração de dados, treinamento e sustentação.
- Comece pela borda. Escolha um fluxo específico, de risco contido, em vez do sistema central. É a recomendação do artigo da CIO.com para quem está começando.
- Defina dono e sustentação antes da primeira linha de código. Sem isso, o sistema novo vira o próximo problema.
- Meça o resultado. Segundo a Retool, 35% das organizações ainda não têm nenhuma métrica de produtividade para IA. Sem medir, não há como provar que a troca valeu.
Se a conta do passo 4 ficar apertada, fique no SaaS. Software sob medida compensa quando a diferença é clara, e não quando é um empate.
Perguntas frequentes sobre SaaS e software sob medida
O que significa build vs. buy?
É a decisão entre construir um software próprio (build) ou contratar um pronto (buy), geralmente um SaaS por assinatura. Em 2026 ganhou força um terceiro caminho, o híbrido: alugar o que é padrão e construir o que diferencia a empresa.
Software sob medida é mais barato que SaaS?
Depende de quanto do SaaS você usa. Se a equipe aproveita quase todo o produto, o SaaS costuma sair mais barato. Se você paga o pacote completo, por usuário, e usa uma fração, o sistema próprio tende a compensar em um horizonte de alguns anos. A comparação precisa incluir sustentação.
Quais sistemas as empresas mais substituem por software próprio?
Segundo a Retool, as categorias sob maior pressão são automação de fluxos (35%), ferramentas administrativas internas (33%), BI e relatórios (29%) e CRM (25%).
Dá para criar o sistema só com IA, sem desenvolvedores?
Para um protótipo, sim. Para produção, não é o que as empresas estão fazendo. No relatório da Retool, só 31% de quem entregou software geram aplicativos completos por prompt, e apenas 8% usam o código da IA sem revisar.
Preciso abandonar todos os meus SaaS?
Não. O desenho mais comum é manter SaaS para funções padrão, como e-mail, folha e contabilidade, e construir sob medida o processo que diferencia o negócio.
Quem faz a manutenção de um software sob medida?
Uma equipe interna ou um parceiro com contrato de sustentação. O importante é definir isso antes do desenvolvimento, com responsável, rotina de atualização e orçamento anual.
Vale fazer a conta
O dado dos 35% não diz que o SaaS acabou. Diz que a pergunta "comprar ou construir" deixou de ter resposta automática, e que quem não refizer a conta pode estar pagando caro por uma ferramenta que atrapalha.
A Skala Code desenvolve sistemas sob medida, aplicativos e soluções com IA para empresas que querem automatizar processos e integrar a operação. Depois da entrega, seguimos com squads dedicados e planos de sustentação.
Se você tem um SaaS que trava a sua operação, fale com a Skala Code. Em uma conversa, mapeamos o processo e dizemos com franqueza se vale construir ou se é melhor continuar onde está.
Conte qual SaaS trava a sua operação hoje e como o processo funciona na prática. A gente devolve uma resposta direta: construir, continuar no SaaS ou fazer o híbrido.
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